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  • Kelrrey

O SHOW DA XUXA COMEÇOU!



Xuxa fez show no Credicard Hall em São Paulo ontem (17), sim, aquela Xuxa da nave e que faz um tempo que está na Record.

Resolvi ir com meu melhor amigo relembrar os tempos de criança/adolescente gay. O ingresso já não foi lá dos mais baratos. 230 reais pra ficar na pista normal (que é aquela do povo do fundão).

Mas ok, considerando que eram 230 reais para ver "A Rainha", The Queen of the little ones, e ter um tsunami de nostalgia, valia bem a pena.

Uma semana antes do show, Xuxa anunciou que os ingressos estavam esgotados e em algum outro momento disse que nunca mais cantaria "Amiguinha Xuxa". Decepção para quem gostaria de assistir ao show de boas (pois estaria lotado) e decepção para os nostálgicos de plantão que queriam ouvir Xuxa com quase 60 anos cantando "Amiguinha Xuxa".

Dia do show. Cheguei ao Credicard Hall por volta das 19:00. O show começaria as 21:00. Mas as filas já estavam imensas. Mulheres e LGBTs aos montes. Contei pelo menos 96 "paquitas" na fila.

Meu amigo e eu decidimos abrir a caixinha de pandora de nossos anseios ali mesmo, na fila.

Começamos a dialogar sobre nossa falta de liberdade. Por qual motivo não fomos vestidos de Paquita? Seria ridículo? Provavelmente. Mas nesses momentos de diversão o ridículo não seria permitido ou anulado? Por qual motivo temos tanta vergonha do que os outros vão pensar ou dizer? Pais rígidos? Bullying na escola?

Enfim, os questionamentos foram interrompidos pelo andar da fila.

Entramos e fomos explorar o local. Lanches até que não tão caros, lojinha com itens da Xuxa e 7 mil pessoas se aglomerando na pista.

Testamos fazer amizade com algumas manas, mas em vão. O carão falava mais alto e, em menos de 1 minuto, elas já não estavam mais perto da gente. Não somos padrãozinho. Nunca tivemos essa intenção.

Uma moça se aproximou da gente puxando assunto, estava sozinha pois o marido não quis ir. Depois, uma senhora com a filha de 18 anos também se juntaram ou nosso grupinho. Mulheres... sempre mais abertas e despreocupadas com o carão.



O show começou pontualmente as 21hs. Diversas imagens nostálgicas projetadas numa cortina que, ao cair, vislumbrava aquela nave maravilhosa que embalou a imaginação de todas as crianças dos anos 80 e 90. Xuxa aparece saindo da nave ao som de "Amiguinha Xuxa", sim, a música que ela disse que jamais voltaria a cantar. E sim, visivelmente desconfortável, com ombreiras e peruca de xucas e errando visivelmente a letra no playback. Ninguém se importou. O público gritava, cantava junto, chorava.



E seguiu com hits como "O Show da Xuxa Começou", "Tindolelê", "Eu Tô Feliz" e "Hoje é Dia de Folia".

Ela chamou mais vídeos nostálgicos que foram embalados pelo instrumental de "Lua de Cristal" enquanto trocava de roupa.



Voltou vestindo um fraque de led para cantar "Planeta Xuxa", seguido de "Libera Geral" e "Tô de bem com a vida".

Teve pausa para militar a favor da natureza e dos índios antes de introduzir "Brincar de Índio".



Teve bloco XSPB com hits como "Cinco Patinhos" e "Dançando com o Tchutchucão".

Teve bloco Axé embalado por "Xuxaxé", "Nosso Canto de Paz" e "Pinel por você".



Xuxa avisou que não cantaria algumas músicas como "Dança da Xuxa" ou "Abecedário da Xuxa", mas permitiu que a plateia cantasse acapela antes dela entoar o hit "Xuxalelê".



Pediu desculpas por ter sido "possessiva" nos anos 90 e marcado um X em nossos corações após cantar o sucesso "Marquei um X".

Com direito a participação de Abdullah no telão, Xuxa cantou "Giro do Planeta" e deixou o palco pra mais uma troca de roupas. Seus dançarinos alegraram a plateia com a dobradinha "Xuxa Hits" e "Hey Dj".



Notícias sobre homofobia tomaram conta do telão para introduzir a faixa "Arco-íris". O palco e a nave também ficaram coloridos. Super emocionante.



O show estava chegando ao fim. Xuxa anunciava "Ilariê". A plateia vibrava, pulava, sem julgamentos. E Xuxa também se divertiu. Colocou no telão uma projeção do disco Xou da Xuxa 3 girando ao contrario.



A plateia começou a gritar que queria ouvir o hino "Lua de Cristal" e Xuxa acatou o pedido dos súditos. Foi certamente o momento mais emocionante do show, com uma platéia cantado bem alto como um louvor.



E a Rainha se despediu, ao som de "Doce Mel", embarcou em sua nave, como se fosse meio-dia e deixou nossos olhos marejados mais uma vez.

Fomos embora felizes.

E sabe aquele assunto da liberdade que rolou lá na fila do show? Pois é, não foi fácil ser uma criança gay nos anos 80/90. Mas, era exatamente essa mulher que fazia a gente superar tudo, nos trazia alegria, fazia a gente esquecer o bullying da escola, e por alguns momentos nos trazia a tal liberdade, enquanto dançávamos "Remelexuxa" no quarto.

Obrigado Xuxa.


Videos: Fábio Cabral / Reginaldo Gibim

Fotos: AgNews


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